livro sobre preconceito racial

Billie Holiday e a biografia de uma canção

Um livro sobre a primeira música de protesto contra o linchamento de negros, nos Estados Unidos
Foto: Reprodução

Ser considerada a primeira música de protesto contra o linchamento de negros, nos Estados Unidos, nos anos de 1930, é por si só, muito para se dizer sobre uma música. Porém, saber que ela ganhou notoriedade na voz de Billie Holiday, considerada uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos, é falar com deferência. Essa é – basicamente - a história do livro Strange fruit: Billie Holiday e a biografia de uma canção, escrito pelo jornalista americano David Margolick.

Encontrei a obra, por acaso, em uma feira de doação de livros. O nome de Billie, gravado em uma capa preta, de material sintético, logo me chamou a atenção! Levei para a casa e, após ler a biografia de Martin Luther King, embarquei, mais uma vez, na história do racismo nos Estados Unidos.

A letra foi escrita por um professor judeu, chamado Abel Meeropol, que abalado após ver a fotografia de dois homens negros, enforcados em uma árvore, vítimas de racismo, fez um poema metafórico, triste e necessário:

 “Árvores do Sul dão uma fruta estranha/ Folha ou raiz em sangue se banha/ Corpo negro balançando, lento/ Fruta pendendo de um galho ao vento/

Cena pastoril do Sul celebrado/ A boca torta e o olho inchado/ Cheiro de magnólia chega e passa/ De repente o odor de carne em brasa/

Eis uma fruta para que o vento sugue,/ Pra que um corvo puxe, pra que a chuva enrugue,/ Pra que o sol resseque, pra que o chão degluta,/ Eis uma estranha e amarga fruta”

No livro, o escritor David Margolick  relata que a música era a última que Billie cantava em seus shows, pois sempre gerava um incômodo na plateia. Não por acaso, quando a lemos traduzida, e mesmo a ouvimos na voz de Billie (veja abaixo), entendemos todo o desconforto e reflexão que ela provocava.

Vale a leitura para refletir sobre a questão do racismo em um país como os EUA, para conhecer um pouco mais sobre Billie Holiday e, por fim, para perceber como a música pode ser muito mais que um instrumento de entretenimento.


Ouça abaixo Billie Holiday cantando Strange Fruit:

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