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Ordem para recolher livros porque ler é perigoso

Notícias sobre censuras aos livros e a escritores trazem à tona uma importante reflexão sobre como o hábito da leitura é importante
Foto: Lucas Souza no Pexels

O amor pelos livros nasceu comigo: ainda criança fiz da biblioteca da minha escola um espaço de lazer para as tardes ociosas. Caminhava pelos poucos corredores do espaço, dedilhando os dedos pelos títulos para escolher uma obra que parecesse mais atrativa! Ali eu era seduzida pelas cores das capas, pelos nomes mais criativos ou por escritores que eu ouvia ser mencionados por professoras. Assim foi quando conheci o grande Machado de Assis. As educadoras de Português e Literatura tinham como plano de aula a leitura das obras dos escritores clássicos e, entre eles, José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo e Bernardo Guimarães.

Conforme eu mergulhava no universo dos clássicos brasileiros, tinha a sensação de ter embarcado em uma máquina do tempo. A menina de 11, 12 anos, que nunca tinha viajado para mais de poucos quilômetros de casa, visitava o século 19 caminhando pela rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, de braços dados com Machado de Assis. Não lembro de ter me sentido agredida pelas suas palavras e, muito menos, de achá-las estranhas para minha mente infantil. Por isso, como foi triste ter lido a notícia de que o governo de Rondônia ordenava que se recolhesse 42 obras de escritores consagrados como Kafka, Euclides da Cunha, Mário de Andrade e o "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado com argumentos de que eles “apresentavam conteúdos impróprios para crianças e adolescentes”. Pressionado pela crítica da opinião pública, voltaram atrás na decisão.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2016 e promovida pelo Instituto Pró-Livro, entre 2011 e 2015, a estimativa de brasileiros que consomem livros passou de 50% para 56%, totalizando 104,7 milhões de pessoas. A quantidade anual média de livros por habitantes passou de 4 para 4,96. Já os franceses leem, em média, 21 livros por ano, segundo uma pesquisa de 2019, promovida pelo Censo Nacional do Livro de lá.

Os números, infelizmente, mostram que a leitura não é um hábito tão comum entre os brasileiros, quando comparamos com outros países cuja educação é mais valorizada pelo poder público que aqui. Porém, se o hábito de ler livros já tem como rivais distrações suficientes, tais como videogame, Netflix, TV e redes sociais – no Brasil, os livros também têm como inimigos, alguns governantes que censuram ou fazem críticas às obras.

Quem censura livros, censura o livre pensar! Afinal, uma sociedade informada e crítica torna-se “um problema” para governantes conservadores ou corruptos.

 

 

 

 

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