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Atitude: remédio que não se vende na farmácia

Às vezes o peito aperta é pelo medo do novo e a cabeça dói é de sofrer por antecipação
Foto: Pixabay

A sabedoria popular propaga por aí que gastrite é doença de “quem engole sapo”. Que os médicos, conhecedores legítimos da causa da doença nos perdoem, mas essa é uma boa metáfora para traduzir aquela angústia, ressentimento ou insatisfação com os quais convivemos sem aceitar e que, no final, tornam-se uma dor física.

Nos momentos em que a vida nos pesa exigindo de nós coragem e resiliência, o nosso sofrer dói no corpo. Sabe quando o peito aperta e a cabeça lateja? Procuramos o médico, fazemos os exames e, aparentemente, não sofremos de nenhuma doença. Um bom clínico, então nos olha nos olhos e faz a pergunta crucial:

_ E a sua vida, como está? O trabalho? A família? Os relacionamentos?

Ali, diante da pergunta incômoda, poderemos até mentir, dizermos secamente que está tudo bem, mas ao voltarmos para a casa, toda a dor que a vida nos impõe, costuma gritar. O trabalho que não está mais conectado com o que acreditamos, o relacionamento desgastado clamando por um ponto final e a vida nos pedindo movimento, são questões que não resolvidas, nos machucam de verdade. E o mais difícil é sabermos que o medicamento não se vende na farmácia, pois não há ansiolítico que cure o que dói no coração. No fundo, sabemos: certos remédios não carecem de receita, exigem autoconhecimento. 

Às vezes o peito aperta é pelo medo do novo, a cabeça dói é de sofrer por antecipação, o estômago queima porque nos falta coragem de dizer não. Vivemos como se cada problema fosse tudo ou nada em nossa vida. Alguns são, outros não. 

O cantor estadunidense, Bobby McFerrin, consagrado pela música Don't worry, be happy nos lembra de forma leve e descontraída: “In every life we have some trouble but when you worry, you make it double. Don't worry, be happy” que, em tradução livre, significa: “Em toda vida, temos alguns problemas. Mas enquanto se preocupa, você os duplica. Não se preocupe, seja feliz!”

Infelizmente, sabemos que não é fácil como parece. O importante é nos perguntarmos o que incomoda mais: o corpo que dói ou problema que julgamos sem solução? Aos 15 anos, possivelmente, você sofreu por um amor não correspondido que julgava ser eterno; aos 21 anos a faculdade parecia ser um bicho de sete cabeças; a gravidez indesejada parecia ter acabado com todos os seus planos; perdeu o emprego e se viu perdido; disse adeus a um familiar querido ou bateu o carro sem seguro.  Um belo dia, sem você ter percebido, algumas dessas histórias ficaram nas páginas do seu passado e lições preciosas foram aprendidas fazendo de você uma nova pessoa. O importante é saber que passa ( de verdade!) e todo sentimento que dói no corpo clama pela nossa atitude, um remédio que não se vende na farmácia. 


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