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Existe amor no carnaval?

Diz o ditado que amor de carnaval não sobe a serra, mas nessa festa popular quem dita as regras é a fantasia
Foto: Jodie Louise no Pexels

Na rua da Passagem, em pleno bairro Botafogo, o rapaz com chapéu de bobo da corte parou a moça que segurava um leque colorido. Ali, entre centenas de foliões, disseram o nome, contaram de onde eram e um beijo negado serviu como um falso adeus. Algumas marchinhas depois, se encontraram novamente e o espírito de carnaval falou mais alto: seria o primeiro beijo dos vários outros que dariam por muitos e muitos anos!

Diz a sabedoria popular que amor de carnaval não sobe a serra, mas a verdade é que nessa festa dividida entre os blocos de rua e os bailes nos salões, nenhum ditado merece ser levado tão a sério! Mágicos se apaixonam por onças, pierrôs beijam pierrôs e colombinas cantam felizes sem sequer lembrarem de seus arlequins. As frutas ganham vidas, as cabeças parecem vasos com imensas flores artificiais e até os mais tímidos se soltam em busca de uma aventura. Haja purpurina para tanta fantasia! Se por fora, nos vestimos como a Mulher Maravilha ou o Super-Homem, por dentro somos apenas corações infantis querendo viver nossa velha infância. Damos risadas dos grandalhões que saem vestidos de fralda, nos apaixonamos pelas moças com cílios azuis, cruzamos com os personagens das nossas séries favoritas e caminhamos pelas ruas dos bairros como seres coloridos de um mundo irreal.

No meio da multidão, o carnavalesco se apaixona, a foliã se liberta e as crianças se distraem com os confetes. A festa é do povo e de quem escolhe se distrair com ela: democrática, permissiva e alienada, pois a realidade nem sempre tem riso ou cor.  Há quem prefira o silêncio e a paz do lar, mas quem sai às ruas quer o barulho dos tambores, o humor dos desconhecidos e um outro tipo de experiência para vivenciar. 

Os indianos celebram a chegada da primavera com o colorido Holi, os mexicanos homenageiam os que se foram com o Dia dos Mortos e desenhos de caveiras coloridas e, os moradores de Amsterdam, se vestem de laranja para comemorar o Dia do Rei. Em cada canto desse mundo há uma festa popular para comemorar um acontecimento ou uma mudança, afinal viver é uma experiência aleatória onde nem sempre é possível escolher o riso. Por isso, se lá fora, neste exato momento, existem pessoas fantasiadas de Carmen Miranda, Frida Kahlo, palhaços ou anjos, eu escolho sorrir com elas, pois eu acredito que existe amor no carnaval e ele mora no desejo que, todos nós temos, de ser feliz!


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