texto sobre rotina

A vida é simples e não usa filtro de Instagram

Não vivemos nas fotografias, recortes de uma realidade, nem sempre, prazerosa
Foto: Pexels

O bonito da vida é simples, por mais que as fotos do Instagram nos digam o contrário! Não vivemos nas fotografias, recortes de uma realidade, nem sempre, prazerosa. Nossas histórias são contadas pelo relógio que nos desperta na hora x, nos desafios do trabalho, na roupa que se estende no varal, no cochilo após o almoço ou na testa suada de um filho que dorme feito um anjo.

A vida tem beleza porque ela não é a cena principal do nosso filme preferido, é plano-sequência entre o escovar de dentes e o próximo beijo na boca. É tudo aquilo que fazemos entre o primeiro e o último ato. Afinal, até quem larga tudo para viajar pelo mundo, também precisa de banho e pratos limpos.

A rotina, essa companhia simplória e, por vezes, desprezada, é o ponto firme da nossa costura. É nela que dormem os casais idosos que se amam, os jovens apaixonados que arrepiam a pele quando se tocam, os cadernos nas mochilas dos filhos, a bênção dada pelos avós, a sopa feita em um dia frio. Afinal, os ternos e os vestidos de festa, cujos preços são pagos com diligência, passam mais tempo em nossos guarda-roupas do que em nossos corpos, enquanto os velhos moletons têm as nossas formas impressas.

Temos os nossos dias requintados, com bailes e taças de champanhe. Dias de chapéus de palha, com abas largas, deitados em cadeiras de frente para o mar... Mas, temos o dia a dia: tão simples e precioso em que se costuram as melhores memórias. O cotidiano com cheiro de biscoito-frito e café feito na hora, da borboleta-azul passeando pela estrada enquanto seguimos para algum lugar e dos velhos pratos de porcelana riscados pelas inúmeras refeições saboreadas.  Moramos na rotina, com as nossas tristezas, alegrias, medos e sonhos. Despidos de roupas caras e selfies perfeitos. No comum, sendo somente o que somos: sem glamour, mas com a louvável necessidade de nos amarmos sem filtros!  

 

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