texto sobre afeto

Palavras de afeto nestes tempos sem abraços

Ah! Como eu gostaria de escrever um texto-abraço nestes tempos difíceis
Foto: Gustavo Fring no Pexels

Ah! Como eu gostaria de escrever um texto-abraço, apertado e afetivo, em quem lê! Composição recheada de palavras que fossem como um conforto, não de um minuto ou de um dia, mas de uma vida inteira! 

Palavras que abraçassem a dor de quem lê, palavras que perfumassem a cama de quem dorme ou que tranquilizassem quem anda por aí angustiado. 

Palavras que voassem como os pássaros, que trazem a paz sem alardes.

Eu bem queria que, neste momento de dor universal, palavras fossem remédio, não contra o coronavírus, mas contra o medo. Não a cura de falsas promessas, mas a cura vinda das sementes que, lançadas ao solo, germinam na sabedoria do tempo: sabem crescer e florescer, usando com parcimônia o sol e a chuva.

Palavras lançadas ao vento para que voassem e entrassem pelas janelas do isolamento... Palavras com asas para que pousassem nas bancadas de quem trabalha. Palavras invisíveis para que adentrassem pela porta de quem não acredita que a vida é sopro, que somos tão frágeis, tanto quanto, humanamente iguais.

Porém, esse texto não existe e nunca será escrito, pois as palavras, sozinhas, não são nada! Palavras que curam ou palavras que confortam, só existem no coração de quem as abraça ou sabe manter as janelas abertas.


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