texto sobre o Dia da Mulher

Toda mulher é obra de mil outras

Sobre aquelas que nos inspiram e motivam
Foto: Anna Shvets no Pexels

Eu trabalho na área de mídias digitais e, junto aos demais colegas, vamos sempre pensando em algumas datas comemorativas com antecedência. Com o "Dia Internacional da Mulher" não é diferente! Como homenageá-las, como tocar o coração delas, como contar para as outras pessoas as histórias de vida de quem luta todo dia para conquistar espaço, bens e a paz de espírito?! Conforme vamos ouvindo, confesso: sinto-me orgulhosa de ser mulher. Esse “bicho” feroz para proteger as crias,  corajoso ao conduzir a vida e com facilidade para se colocar no lugar do outro. Obviamente, há mulheres e mulheres! Porém, quero falar daquelas que nos inspiram, nos mobilizam, nos fazem caminhar e são protagonistas de experiências que, em algum momento, mudaram a rota das nossas próprias vidas. 

Tenho uma mãe que me inspira todo dia a conquistar os meus sonhos, porque naturalmente a vida para ela é assim! Uma mulher do signo de Aquário que, segundo os astrólogos, tem como característica enxergar sempre mil anos à frente. Entre teimosias e atitudes, minha mãe me mostra sempre a capacidade que o trabalho, a humildade e a persistência podem fazer em nossas vidas. Com três filhos, separou-se após um longo relacionamento, foi cuidar de si e labutar. Nunca fez alarde, mas caminha dia a dia construindo a casa e o comércio que sonha para ela. Provavelmente, aprendeu com minha avó: uma mulher da roça com pouco estudo e muito trabalhadora. De um tempo em que os alimentos e as roupas precisavam ser produzidos pelas próprias mãos, pariu 12 filhos e os criou, junto ao meu avô, com muita dignidade. Ela foi a figura que me inspirou a escrever a crônica “Mineiros não dizem eu te amo” porque ao longo dos anos percebi como ela era afetuosa sem usar as palavras, mas com gestos recorrentes de nos bem receber. 

E se na família encontramos com facilidade as histórias de mulheres fortes, a mídia também não nos deixa desamparados sobre personalidades femininas importantes, sejam elas anônimas ou famosas.

Lembro-me de uma reportagem sobre Márcia Jerônimo que viu o filho de oito anos cair em um reservatório, com aproximadamente quatro metros de profundidade, em Franca, interior de São Paulo. Sem saber nadar, a mãe se atirou para salvar o filho e conseguiu. O gesto foi registrado pelo repórter fotográfico, Thiago Brandão que captou uma das maiores forças da natureza: o amor de uma mãe pelos filhos. 

Mulheres são arrebatadoras não somente na maternidade, mas também precisam ser fortes quando lidam com o assédio e a crítica daqueles que, quando ouvem suas denúncias, ainda as julgam. Quando desejam um relacionamento saudável, mas se veem diante de comportamentos machistas que as diminuem. Quando desejam estudar, mas precisam lutar contra a pobreza. Quando se reinventam como empreendedoras nos salões de beleza, nas suas cozinhas que se transformam em pequenos restaurantes ou quando lavam roupa “pra fora” para garantirem o sustento. Ao adquirirem seus diplomas à custa de suor e lágrimas. Mulheres que precisam reafirmar que seus desejos sexuais são tão naturais quanto os masculinos e, nem por isso, são dignas de menos respeito. Mulheres da ciência e da área médica que, nestes tristes tempos de pandemia, lutam para salvar vidas. Mulheres que apanham dos maridos e sofrem para se livrarem de relacionamentos abusivos. Mulheres felizes e orgulhosas de suas conquistas. Mulheres que ganham prêmios Nobel.

Cada uma dessas mulheres passaram, de alguma forma, pelo meu caminho ao longo da vida e construíram a mulher que sou hoje. Personificadas como mães, tias, professoras, chefes, colegas de trabalho, figuras históricas e amigas, sendo referência, escuta e lugar de fala. 

Toda mulher constrói o seu caminho com partes de mil outras. Por isso, honro a memória de todas que vieram antes de mim e lutaram pela liberdade que eu tenho hoje. 

Quais mulheres inspiram você?


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