texto de humor

A história da mulher que inventou a roda

Foto: Jakaria Islam por Pixabay

A roda foi inventada por uma mulher que se banhava em um rio à beira de um vale. Muitos mil anos depois, o vale se transformaria em um bairro de Belo Horizonte, com suas imensas ladeiras. E o rio, infelizmente, teria um final trágico: tornaria-se um córrego  sujo e canalizado que ninguém mais veria, exceto nos dias de intensa chuva.

A inventora da roda seria esquecida, pois não tomou o cuidado de registrar a patente. Naquela época, não existiam nem cartório nem capitalismo e, por milhares de anos, todas as boas ideias eram, quase sempre, atribuídas ao sexo masculino. O fato é que - mesmo sem registro - a invenção  revolucionaria a humanidade. E, cá entre nós, mulheres são muito boas nisso!

Pois bem, voltemos ao passado remoto: uma mulher se banhava no rio, à beira de um vale, quando uma abobrinha ancestral, que crescia selvagem desprendeu-se. A mulher que, naquela época, não precisava dar match no Tinder e nem assumir quase todas as tarefas do lar, notou que o vegetal rolava ladeira abaixo em movimentos rápidos e contínuos

Inteligente como era, pensou:
_Se nossos pés pairassem sobre as abobrinhas, decerto caçaríamos mais rápido. Os animais são velozes, porém nós também seríamos.

Entusiasmada, saiu do rio, pegou outra abobrinha e foi encontrar-se com a sua tribo nômade para levar a ideia. Machos e fêmeas a ouviram. A maioria dos machos duvidaram, fizeram perguntas estranhas e a interrompiam no meio da explicação. Os demais, somados às mulheres, desconfiaram, mas pediram para que ela provasse por A + B o tal experimento.

A mulher inventora da roda, convidou-os para à beira de uma ladeira e jogou a abobrinha. Comprida e arredondada, o vegetal não fez feio: rolou morro abaixo sobre uma relva, sem pedras e sem galhos, impressionando a todos!

Ali, em pensamento, toda a tribo, nos seus cérebros ainda limitados e pequenos, se questionaram o motivo pelo qual nunca ninguém tinha notado como uma abobrinha é tão rápida morro abaixo.

Convencidos, arrancaram todas as abobrinhas encontradas, buscaram cipós e as amarraram nos pés. Os mais pesados não foram bem-sucedidos, pois ao contrário da roda, inventaram o patê. Os magricelos e as crianças que, por sorte, usaram abobrinhas maiores souberam se equilibrar sem esmagar o legume. Vencida a etapa do protótipo, era hora da parte prática: descer a ladeira. Então, veio a decepção: a única coisa que rolava eram os humanos que, tentando fazer o invento dar certo, tropeçavam nos próprios pés e caiam como jacás morro abaixo. Não era preciso ter o Q.I. de um homem moderno para sacar que uma invenção de respeito não quebraria os ossos de ninguém.   

Os que se arriscaram ficaram roxos, tortos e xingaram a mulher do rio. E, apesar de doloridos, foram caçar com os pés de sempre. 

A inventora, porém não desistiu da ideia. Caminhou pela floresta, observou as árvores, as rochas e os bichos. Suspeitou que estava enlouquecida, pois enxergava o formato circular em tudo! E concluiu: se a abobrinha era frágil, as pedras não.

Como uma lança, talhou por dias e dias uma pedra até que ela ficasse arredondada. Talvez, quem sabe, era a famosa pedra sabão, vendida à beça nas feirinhas de Ouro Preto. Roda concluída, arremessou o experimento ladeira abaixo, em área plana, sobre os pedregulhos e, de toda forma, a roda rodou.

Certa de que havia encontrado a solução, levou novamente a ideia para a tribo. Jogou de um lado, mandou para outro, rolou para cima e para baixo. Os membros da tribo olharam uns para os outros; alguns ainda machucados pelo experimento da abobrinha e não pensaram duas vezes: deram as costas para a inventora e foram cuidar da vida.

Restaram a mulher e as crianças que, vendo aquela engenhoca, passaram dias e dias jogando a roda umas para as outras, divertindo-se e dando gargalhadas com o troço que andava sem ter pernas. A roda, então, teve como primeira função, a mais nobre de todas: divertir crianças. 

Anos passaram, a mulher do rio morreu, as tais crianças cresceram e ensinaram aos seus filhos as brincadeiras com a roda, assim como seus netos ensinaram aos seus bisnetos e, os bisnetos aos trinetos, até que um dia a nova geração conseguiu conceber outras utilidades para a roda.  

Achados arqueológicos contradizem essa história, porém a versão fantasiosa me parece melhor! Que o diga, o tio que compartilha fake news no grupo de família do WhatsApp.

Copyright © 2021 I Cris Mendonça. A história da mulher que inventou a roda. Todos os direitos reservados.


Comentários
EVANILDA
Foi a mulher com certeza
Marisa Borges
hahaha Ri muito! Com certeza, foi a mulher!
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