memória

Agosto mais uma vez

Novamente, os ventos do mês de agosto visitam meu quintal. São os mesmos ventos de antes, mas eu não sou mais a mesma. Os primeiros fios de cabelo branco têm dado o ar da graça, e depois de t
Foto: Pixabay

Novamente, os ventos do mês de agosto visitam meu quintal. São os mesmos ventos de antes, mas eu não sou mais a mesma. Os primeiros fios de cabelo branco têm dado o ar da graça, e depois de tantos sorrisos, a pele tem mostrado alguns sulcos.

As crianças voltam da escola com suas mochilas pesadas, os rostinhos suados e as vozes estridentes. As pipas voam coloridas e os moleques continuam atrevidos. Tudo parece igual, tudo se repete, só a imagem refletida no espelho que não.

Manifestam o passar do tempo, além do espelho, as folhas secas que por aqui voam lembrando-me da lista de promessas feitas em janeiro, ainda não concluída. Continuo sem aprender inglês e a viagem a Paris permanece no papel. Viajei de carro, para no máximo, visitar a amiga em Milho Verde, no interior de Minas, que sempre me conta sorrindo:

_Cachoeiras e silêncios são os melhores remédios para o estresse!

Enquanto isso, o tempo continua seco e os repórteres se repetem sobre o assunto:

_O céu está azul e não há nuvens; o sol é de inverno, mas queima como no verão!

Os agostos que chegam e se vão com 31 dias de mau agouro não me interessam! No oitavo mês, nasceram minha avó materna, meu pai e meu irmão do meio, e comemorei vários dias do Estudante no pátio da velha escola. 

No mês dos ventos, da terra seca e do mato queimado, ouvi por várias vezes, meus avós dizendo:

_Em agosto, a roça fica feia!

Mas, não tão feia quanto a saudade, não tão seca quanto essa memória de um novo agosto que chega.

E conforme a poeira encosta, o vento leva, a chuva cai, a terra molha, a planta cresce, agosto se esvaecerá mais uma vez. Suas rajadas seguirão adiante sobrevoando as águas e as gentes. 

E quando no próximo ano agosto voltar, nos lembraremos com o barulho do vento, que 365 dias se foram mais uma vez. 

 


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